Tourigo, o berço da Touriga Nacional

E se for mesmo verdade? ... estaremos preparados? Para sermos mesmo o berço da touriga nacional? Algum tempo passou desde que lançámos aqui o desafio de propor Tourigo como berço da Touriga Nacional, essa encubadora de taninos dos melhores vinhos nacionais. A ideia ganhou raízes, a início muito circunscritas, para depois "arrepiarem" caminho e lançarem a sua semente por vários sítios do cyberespaço. Porque não é todos os dias que uma freguesia tem como "marca de água" o nome de uma casta como a Touriga Nacional, siga as novidades em Tourigo, berço da Touriga Nacional

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

"Manifestações vivas" do Touriguês

É destas preciosidades que se faz o brilho dos dias... o recente comentário do mui honrado "talhadouro" ou regoaspirante R. captou o que de mais genuíno se faz por estes lados:
Saudações Regonianas,
Apesar de ser um "outsider" nestas lides, deixo aqui o meu contributo a este património linguístico. Depois de, a convite de um ilustre confrade do Rego, ter sido presenteado com uma tarde de trabalho àrduo na Regolândia, fui testemunha de duas manifestações vivas do Touriguês: "chorar como as mimosas" e "embuziado".
E aqui ficam mais exemplos, saborosos como castanhas, do Touriguês, património cultural incontornável a preservar:
"chorar como as mimosas" e "embuziado".

Muito bom...
Sempre atentos,
Os confrades do Rego

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Topónimos | actualização

No meio de ventania, brisa fria e brilho de sol já de invernia,
eis que chega um comentário enriquecedor de AHC, que JSR agradece:



Alguns topónimos:
Tintuleiro (ou Tintoleiro?)
Vale do Chileiro
Mão-fundeira
Eira-fundeira
Rianga
Fundarrua (fundo-da-rua, mas mais interessante a 1.º forma...)

Há mais, mas por hoje chega...Um abraço!
AHC

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Sugestões: Estrunfes e Deolinda

Num dia de sol e de vento frio, como hoje, nasciam, há cinquenta anos atrás, os Estrunfes (ou Smurfs), esses seres azuis e pacíficos que viviam em cogumelos! Se encontrarem por aí algum, não estranhem, eles andem aí! Mais info. para saudosistas dos "bonecos" dos anos 80, ver em http://www.smurf.com/home-en.
Entretanto, para animar, aqui fica uma banda sonora para o fim-de-semana:


Deolinda
http://www.deolinda.com.pt/


O entendido na cena electro-acústica,
JSR
... Fon-fon-fon

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Hora de Inverno

Não se esqueçam de atrasar o relógio 1 hora de sábado para domingo!
Isto é que é um bónus...

Instantâneos de Outono

Um sopro quente no Outono.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Touriga... em busca das origens

Mais uma referência, entre muitas...

Touriga Nacional, a caminho do estrelato
por Virgílio Loureiro


Nascida no Dão, a Touriga Nacional é hoje um fenómeno de popularidade junto dos consumidores e produtores de todo o País. E mesmo lá fora, muitos voltam já os seus olhos para esta nobre casta portuguesa. (...)

Uma Casta Nascida no Dão
A fama dos vinhos do Dão é devida, em boa parte, a esta casta, que, no passado, antes da crise filoxérica, era largamente dominante nos vinhedos da região.
António Augusto de Aguiar, que em 1866 fez uma descrição dos Processos de Vinificação Empregados na Província da Beira, afirmava que o vinho desta região era, em geral, de Tourigo quase estreme.
Também o Mestre Cincinnato da Costa, na sua obra monumental "O Portugal Vinícola", afirmava, em 1900, que o Tourigo no Dão entrava nas plantações numa proporção de 9/10.
Este predomínio, quase absoluto em algumas sub-regiões, antes da filoxera é, aparentemente, estranho numa viticultura que sempre se caracterizou por uma grande promiscuidade de castas e um enorme desordenamento vitícola.
A principal explicação para tal facto reside, não só na grande capacidade produtiva e qualidade das suas uvas, mas também na sua fraca sensibilidade às doenças causadas por fungos, que lhe permitiu sobressair das restantes na difícil luta contra o flagelo do oídio na segunda metade do século passado.
Mais enigmático, porém, é o seu súbito declínio depois da filoxera. De facto, a reconstituição dos vinhedos que então se operou não permitiu manter o potencial produtivo da casta devido, provavelmente, à falta de adequação dos porta-enxertos americanos utilizados, que, enaltecendo o vigor da casta, conduziam ao seu desavinho característico. Por outras palavras, a casta passou a produzir muita parra, mas pouca uva.
Os vinhos de Touriga são maciços de cor, apresentando-se em certos anos completamente opacos Na região do Dão a Touriga Nacional é conhecida, normalmente, por Tourigo, embora se lhe reconheçam vários sinónimos, tais como Preto Mortágua, Mortágua, Elvatoiriga ou Tourigo Antigo.
Este facto é relevante, pois a existência de uma pequena aldeia, entre Tondela e Santa Comba Dão, com o nome de Tourigo constitui um argumento importante para considerar esta casta originária do Dão. Também não deixam de ser significativos os sinónimos Mortágua e Preto Mortágua, surgidos a partir do topónimo da vila vizinha de Santa Comba Dão. Em contrapartida no Douro não se lhe conhece nenhum sinónimo com conotação geográfica.

Os estudos de variabilidade genética demonstraram que o seu coeficiente de variabilidade é muito grande, tanto no Douro como no Dão, sugerindo que é cultivada, nas duas regiões, desde um passado longínquo. No entanto, esta variabilidade é sempre maior no Dão, confirmando as descrições da maioria dos autores antigos, que a consideraram sempre mais cultivada no Dão que no Douro. Há mesmo um autor anónimo, em 1849, citado por Pinto Menezes, que refere que a Touriga foi introduzida no Douro para dar côr aos vinhos, pois em Inglaterra tinham passado de moda os vinhos descorados e começavam a ser preferidos os vinhos mais carregados de côr.

in "Revista de Vinhos", nº 146, Janeiro de 2002 , cit. in http://www.domteodosio.com/po/red.html?id=22, acesso em 17.10.2008

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Sopas do Rego com castanhas e cogumelos

Aqui fica uma sugestão para um início de refeição à Rego:

Ingredientes
1 alho francês
1 talo de aipo
1 cebola
2 cenouras
500 g de castanhas descascadas (congeladas)
1,2 l de água

sal, pimenta e cravinho
2 fatias de bacon
uma mãozita de cogumelos frescos

boa disposição q.b.

Preparação
Comece logo pela boa-disposição, considerando-a em todos os momentos da preparação.
Uma vez lavados na frescura da água do Rego e com cortes certeiros, deite num édredon de azeite o talo de aipo, o alho francês e a cebola em rodelas. Tape e leve a lume brando, a tomar cor. Neste concerto, junte cordialmente uns pedacinhos de bacon. De seguida, adicione as cenouras lavadas, devidamente peladas e cortadas em rodelitas, fazendo acompanhá-las para esta festa pelas castanhas. Após uma revira-volta dos elementos, regue com a água a ferver. Tape e deixe os ingredientes conversarem até as castanhas estarem macias.
Num passo de magia, transforme tudo em puré, adicione o leite, tempere com sal, pimenta e um cravinho. A seguir?... Fervura branda até esmorecer.
Entretanto, leve os cogumelos a banhos para libertarem as impurezas. Aconchegue-os depois numa frigideira, salteando-os num fio de azeite, até se maquilharem a preceito (tenha atenção para que fiquem bem salteados, sem água).
É chegado o momento de juntar os convidados. Sirva o creme nas malgas, deixando cair no centro a neve de cogumelos salteados.

Se puder, tenha ainda o bónus de uns cubinhos de pão estaladiço ou umas farripas de queijo da serra curado para os que quiserem compor o creme, que já de si é bem composto!

Curiosidades sobre Tourigo

Aqui ficam algumas referências ao Tourigo na regosfera:
*Nome de Tourigo
Em 1527, Tourigo chamava-se "Toryguo", in Concelho de Besteiros em 1527, http://arlindo-correia.com/200408.html

*D. José Manuel de Carvalho
31.º bispo. Foi este prelado nascido em Tourigo, freguesia do Barreiro, Tondela (16.IX.1844), fazendo o curso do Seminário em Viseu, onde se ordenou, dedicando-se depois à missão de preceptor dos filhos do marquês de Roriz, em S. Pedro do Sul, acompanhando-os até à Universidade, onde, por sua vez, se formou em Direito (1871). Em Viseu desempenhou alguns cargos, tais como o de professor no Liceu e de Teologia no respectivo Seminário. Apresentado para o Bispado de Macau (4.II.1897), apresentação dirigida pelo então ministro da Marinha e Colónias, o ilustre terceirense conselheiro Jacinto Cândido da Silva, de quem fora amigo e colega universitário, veio a receber confirmação papal (19.IV) e logo sagrado (29.VIII), embarcando para o seu destino a desempenhar-se de tão elevado cargo. in http://www.agencia.ecclesia.pt/diocese/pub/11/noticia.asp?jornalid=11&noticiaid=22073

*Linhagem Matos em Portugal
Felicidade de Matos, nascida a O1.04.1830 em Tourigo, Barreiros, Tondela, Viseu, Portugal
Pais: João Justino e Maria Josefa de Matos,
in http://familia.mattos.googlepages.com/linhagem_mattos.html

*O ensino das primeiras letras no concelho de Tondela (1772-1910),
António Manuel Matoso Martinho
"(...) de 1900 a 1910 instituíram-se escolas masculinas em Botulho, Muna, Ermida, Tondela, Sangemil; escolas femininas em Mouraz, Parada, Sangemil, Janardo, Vilar, Muna, Guardão, Múceres e Tondela, e escolas mistas em Tourigo, Muna, Alvarim, Póvoa de Rodrigo Alves, Ribeira, Várzea de Lobão e Fial.", p. 54, in http://www4.crb.ucp.pt/biblioteca/Mathesis/Mat13/Mathesis13_47.pdf

*Invasões francesas: Batalha do Buçaco
"(…) Por seu turno o general Sainte-Croix, explorando os arredores de Mortágua com o tenente Mascarenhas, encontrara um campónio, a quem o oficial português interrogou e que declarou haver um caminho praticável à artilharia e que ligava Mortágua com a estrada que ia de Tondela por Tourigo ao Sardão, admirando-se que na marcha de Vizeu para Mortágua não tivessem visto essa estrada 4. (…)",
in http://www.arqnet.pt/portal/portugal/invasoes/bussaco02.html

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Convite para "instantâneos" de Outono

Já apetece uma sopa quente, um naco de pão caseiro com doce de abóbora a escorregar. Não tarda, as castanhas estalam nas crepitantes fogueiras dos magustos e as gargantas estarão sequiosas de jeropiga.
Até lá, as cores do Verão ganham asas e poisam outras nas árvores, nos campos, no horizonte.
Com toda esta "azáfama", JSR resolveu lançar um convite a todos quantos queiram partilhar as fotos de eleição dos dias de Outono. Seria interessante ver as diferentes perspectivas, por exemplo, sobre as vindimas, os entardeceres preguiçosos, os campos, o sol e a chuva, os rebanhos e o cão de guarda, o fumo das lareiras a boiar no ar e a abraçar as nuvens, o pão, um bolo acabado de fazer, os enchidos, o Rego!, etc..
O convite está feito. Se o aceitarem, enviem os "instantâneos" do Outono para o endereço
confrariadorego@sapo.pt, com a opção de juntarem uma breve descrição do que a foto retrata ou da ocasião em que foi tirada.
JSR ficará deliciado em publicá-los e agradecido pela partilha.

Ideias em fermentação

Existem várias referências bibliográficas que apontam o Tourigo como origem da casta Touriga Nacional, tal como já avançámos noutros posts. No entanto, não é só por cá que se une com forte gravinhas Tourigo à Touriga Nacional. JSR andou a pesquisar e eis os resultados:

Oz Clarke's Grapes and Wines: The Definitive Guide to the World's Great Grapes and the Wines They Make
Por Oz Clarke, Margaret Rand
Publicado por Harcourt Trade Publishers, 2007
ISBN 0156032910, 9780156032919
"There is a village called Tourigo in the Dao, and nearby is another village called Mortagua...
."
Port and the Douro
Por Richard Mayson
Publicado por Mitchell Beazley, 2004
ISBN 1840009438, 9781840009439
"It is sometimes known here as Preto Mortagua and there is a village in the heart of Dao between Santa Comba Dao and Tondela named Tourigo. ..."
Ref. já mencionadas:
  • Gonçalves, Elsa M.F., 1996, Variabilidade Genética de Castas Antigas de Videira
  • Matoso, António Manuel Martinho, 1985, O concelho de Tondela - História e Património
Sugere-se ainda a leitura da reportagem O Regresso áureo do Dão, BlueWine, in http://www.essenciadovinho.com/bluewine/php/reportagens.php?id=25:
No Dão, o exemplo é notório na reconversão e replantação, que surte os seus frutos. Relevante mas polémico é o caso da Touriga Nacional. Para Calisto Mouta, da CVR do Dão, a aposta nas castas nacionais Tinta Roriz, Alfrocheiro e Touriga Nacional “foi essencial neste recomeço”. A notoridade da região “foi conseguida com a Touriga Nacional, até porque antes da filoxera havia 91% de Touriga Nacional plantada na região, o que demonstra que este é o seu ‘habitat’ natural e, numa prova cega desta casta, a que aparece com mais exuberância é a Touriga do Dão”, acentua Calista Mouta. Aliás, terá sido aqui o “berço da Touriga”, onde afectivamente lhe chamam “tourigo”.